Ministério Público aponta mudança de versões durante audiência judicial sobre caso de estupro e extorsão
INHAPIM – O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ofereceu denúncia contra dois detentos acusados de prestar falso testemunho durante audiência judicial relacionada a um processo que investiga crimes ocorridos no interior do Presídio de Inhapim.
A denúncia foi apresentada pelo promotor de Justiça Jonas Junio Linhares Costa Monteiro e envolve fatos registrados no dia 9 de abril de 2026.
Segundo o Ministério Público, os denunciados John Kevin Soares dos Santos, de 28 anos, e Rondinei de Jesus Souza, de 35, teriam alterado versões anteriormente apresentadas durante audiência de instrução e julgamento realizada na 1ª Vara Criminal da Comarca de Inhapim.
O processo principal apura crimes de estupro, extorsão e associação criminosa supostamente praticados dentro da unidade prisional contra um detento.
De acordo com as investigações conduzidas no âmbito de Procedimento Investigatório Criminal Extrajudicial instaurado pelo MPMG, os dois presos já haviam sido ouvidos formalmente durante a fase investigativa e relataram agressões, ameaças e extorsões atribuídas a outros internos.
Ainda conforme o Ministério Público, os depoimentos anteriores foram colhidos por servidores do sistema prisional, lidos aos declarantes e assinados pelos próprios envolvidos.
Entretanto, durante a audiência judicial, os acusados teriam modificado substancialmente os relatos anteriormente apresentados, circunstância que motivou o oferecimento da denúncia por falso testemunho.
Segundo a peça acusatória, a suposta alteração das versões teria ocorrido com a finalidade de influenciar o resultado da ação penal em andamento, situação que pode configurar causa de aumento de pena prevista no Código Penal.
O Ministério Público também destacou que ambos possuem diversas condenações criminais transitadas em julgado por crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico, roubo, furto, ameaça, violação de domicílio e disparo de arma de fogo, sendo considerados multirreincidentes pela acusação.
Os dois denunciados seguem presos em unidades prisionais do Estado e irão responder ao processo perante a 1ª Vara Criminal da Comarca de Inhapim.
Caso sejam condenados ao final da ação penal, poderão cumprir pena pelo crime de falso testemunho qualificado.
Em nota, o Ministério Público afirmou que a medida reforça o compromisso institucional com a defesa da verdade processual, da integridade das provas judiciais e da correta aplicação da Justiça, especialmente em casos envolvendo crimes graves dentro do sistema prisional.