Invasão em escola e agressão a professora geram tensão em São Sebastião do Anta

SÃO SEBASTIÃO DO ANTA – A invasão de uma escola municipal e a agressão a uma professora durante o horário de aula provocaram forte repercussão em São Sebastião do Anta e acenderam o debate sobre segurança no ambiente escolar. O caso aconteceu na Escola Municipal Mauro Jacinto de Freitas, localizada na Rua Manoel Medina, no bairro Novo Mundo.

Duas mulheres foram presas pela Polícia Militar após a ocorrência registrada no fim da tarde de quarta-feira (20). Segundo a PM, uma das autoras entrou na escola e seguiu até a sala onde a professora ministrava atividades para os alunos. No local, a docente foi agredida com socos, tapas, arranhões e cusparadas, além de ameaças direcionadas a ela e familiares.
A agressão ocorreu diante de estudantes e funcionários da instituição, causando momentos de pânico e apreensão. Testemunhas relataram que a mulher portava uma faca presa à cintura, o que aumentou o temor entre servidores e crianças. Funcionários conseguiram conter parcialmente a agressora até a chegada da Polícia Militar.
De acordo com a ocorrência, a segunda envolvida também participou do tumulto e tentou intimidar servidores da escola.
A autora das agressões alegou aos militares que estaria revoltada em razão de um registro anterior envolvendo seu filho e a professora. Ela admitiu que carregava uma faca, mas afirmou não ter retirado a arma da cintura durante o episódio.
A faca foi apreendida e encaminhada à Delegacia de Polícia Civil. Ainda conforme a PM, durante o deslocamento para atendimento médico e posterior condução à delegacia, uma das mulheres continuou fazendo ameaças contra as vítimas e também contra policiais militares.

As envolvidas foram encaminhadas à Delegacia de Polícia Civil de Caratinga, onde foram adotadas as providências legais.

“Ela já tinha planejado tudo”, afirma secretário

Em entrevista após o ocorrido, o secretário municipal de Educação, Édson Caetano de Oliveira, afirmou acreditar que a invasão foi premeditada e ressaltou que a escola possui estrutura de segurança.
“Ela já sabia onde poderia estar a professora. Quando entrou na escola, já tinha planejado tudo como fazer”, declarou.
Segundo ele, a unidade conta com sistema de segurança, detector de metais, câmeras de monitoramento e porteiros responsáveis pelo controle de acesso. Ainda assim, a mulher teria encontrado um ponto vulnerável para entrar no prédio.
“A escola tem um sistema de segurança avançado. Temos detector de metais na entrada dos alunos, porteiros e câmeras em pontos estratégicos. Mas ela não respeitou as regras da escola”, explicou.
De acordo com o secretário, a mulher não quis se identificar na portaria e, em seguida, utilizou uma cadeira para acessar uma janela da supervisão escolar.

“Ela pegou uma cadeira, subiu na janela e teve acesso aos espaços internos da escola até chegar à sala da professora”, relatou.

Reuniões e reforço na segurança

Após o episódio, a Secretaria Municipal de Educação iniciou reuniões com pais e servidores para discutir medidas de prevenção e reforço da segurança escolar.
“Vamos redobrar os cuidados e identificar onde houve fragilidade para corrigir da melhor maneira possível”, afirmou Édson Caetano.
O secretário destacou ainda que os profissionais da rede já haviam recebido orientações sobre procedimentos em situações de risco e que novas ações serão implementadas junto às famílias.
Segundo ele, a administração municipal também pretende buscar medidas judiciais para restringir a presença da agressora nas proximidades da escola.
“Vamos buscar meios legais de restringir a presença dela nos ambientes educativos ou próximos, para evitar riscos de ameaça ou agressões a funcionários e estudantes”, disse.
Apesar disso, o secretário ressaltou que o filho da mulher continuará tendo garantido o direito à educação.

“A criança tem todo o direito à assistência educacional. O que queremos é evitar que situações como essa voltem a acontecer dentro do ambiente escolar”, concluiu.

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Violência contra professores preocupa educadores no país

A mais recente pesquisa do Observatório Nacional da Violência contra Educadoras/es, ligado à Universidade Federal Fluminense (UFF), revelou dados alarmantes sobre violência e intimidação contra profissionais da educação no Brasil. O levantamento ouviu mais de 3 mil educadores de diferentes regiões do país.
Segundo o estudo, cerca de 90% dos entrevistados afirmaram já ter sofrido, presenciado ou tomado conhecimento de casos de violência, perseguição ou censura contra docentes. Aproximadamente 60% relataram ter sido vítimas diretas dessas situações.
A amostra analisada indicou que 61% professores do Ensino Básico foram vítimas de violência, enquanto no Ensino Superior, o percentual é de 55%. Na rede EBTT (Magistério do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico), 62% responderam ter sido vítimas diretas de ameaças e censuras. A Região Sul lidera os casos de ataques a docentes, com 64% dos professores vítimas diretas de violência. A Região Sudeste figura em segundo lugar, com 62%. O Centro-Oeste aparece em terceiro lugar, com 57%. O Nordeste aparece com 53% dos docentes vítimas de violência e, na Região Norte, 52% responderam ter passado por violência na docência.
Entre os casos apontados estão intimidações, agressões verbais, ameaças, perseguições políticas, exposição nas redes sociais e até agressões físicas. A pesquisa também identificou crescimento dos episódios em períodos eleitorais.

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