Mais do que um registro biográfico, o documentário apresenta Hélio Amaral como figura central de pensamento e formação intelectual na região
CARATINGA – A Casa Ziraldo de Cultura foi palco, na última quarta-feira (1º de abril), da premiére do documentário ‘O Cão do Leste’, produção idealizada e realizada por Glauber Fidelis e Leandro Martins. A obra propõe um mergulho na trajetória do filósofo caratinguense Hélio Amaral, ao mesmo tempo em que revisita episódios marcantes da história do Leste de Minas e do Brasil durante o período da Ditadura Militar.
Mais do que um registro biográfico, o documentário apresenta Hélio Amaral como figura central de pensamento e formação intelectual na região. Professor e referência para gerações, ele também foi mestre de Glauber Fidelis — relação que atravessa o tempo e ganha expressão na linguagem cinematográfica adotada pela obra.
A escolha da data de estreia não foi casual. O dia 1º de abril remete diretamente ao ano de 1964, quando teve início o regime militar no país, marcado pela repressão, censura e silenciamento de vozes dissidentes. Ao lançar o filme nessa data, os realizadores estabelecem um diálogo direto com a história, propondo não apenas a lembrança, mas também o confronto com narrativas que, ainda hoje, seguem em disputa.
Conforme os idealizadores, ‘O Cão do Leste’ se posiciona como um instrumento de memória e reflexão. Em tempos de revisões históricas e tentativas de apagamento, o documentário reforça o papel do audiovisual como ferramenta de preservação e resistência cultural.
Eles explicam que Caratinga, situada no Leste mineiro — região simbolicamente associada ao “lugar onde nasce o sol” — surge na obra não apenas como cenário, mas como elemento identitário. “É ali que histórias se entrelaçam e ganham significado, revelando um território onde narrar o passado também se configura como um gesto político”.
Segundo eles, a proposta dialoga com o pensamento do poeta Thiago de Mello, citado na obra por meio do trecho de Os Estatutos do Homem: “Fica decretado que agora vale a verdade. Agora vale a vida e, de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira.”
“No Leste de Minas, essas memórias seguem vivas — muitas vezes incômodas, mas essenciais. Transformam-se em identidade e reafirmam a soberania de um povo sobre sua própria história, tanto no âmbito regional quanto nacional”, finalizam.
