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Justiça manda a júri motorista e empresário por tragédia com 39 mortos na BR-116, em Teófilo Otoni

TEÓFILO OTONI – A Justiça de Minas Gerais decidiu levar a júri popular o motorista de uma carreta e o empresário responsável pela carga envolvidos no acidente que matou 39 pessoas na BR-116, em Teófilo Otoni. A decisão foi divulgada nesta terça-feira (7) e marca um novo desdobramento de uma das maiores tragédias rodoviárias do país.
O caso remonta a 21 de dezembro de 2024, quando uma carreta carregada com blocos de granito colidiu com um ônibus que trafegava no sentido contrário. O impacto provocou um incêndio no coletivo e resultou na morte de 39 pessoas, entre adultos e crianças, além de deixar vários feridos. O episódio é considerado o mais grave em rodovias federais brasileiras desde 2007.

Indícios levaram à decisão
De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, há indícios suficientes de autoria e materialidade para que os dois acusados sejam julgados pelo Tribunal do Júri.
O motorista da carreta deverá responder por homicídio qualificado, com agravantes como a criação de perigo comum e a dificuldade de defesa das vítimas. Já o empresário será julgado por participação culposa em crime doloso, por sua ligação com as condições da carga e da operação.
Segundo as investigações, o caminhoneiro teria conduzido o veículo em velocidade incompatível, com excesso de peso e sob efeito de drogas e substâncias ansiolíticas, além de não verificar adequadamente o sistema de fixação da carga.
Já o empresário é acusado de inserir ou permitir a inserção de informações falsas no manifesto de carga, com o objetivo de aumentar lucros, colocando em risco a segurança de terceiros.

Dinâmica do acidente

A principal linha investigativa aponta que um bloco de granito transportado pela carreta se desprendeu e atingiu o ônibus, provocando a colisão e, posteriormente, o incêndio.
Inicialmente, chegou-se a cogitar que o acidente teria sido causado pelo estouro de um pneu do coletivo, mas essa hipótese perdeu força ao longo das investigações, inclusive com base em depoimentos e laudos técnicos.

Prisão e circunstâncias agravantes
O motorista chegou a fugir do local após o acidente e foi preso posteriormente. Exames apontaram a presença de substâncias como cocaína e ecstasy em seu organismo, o que reforçou a gravidade das acusações.
A Justiça também destacou que o condutor já possuía histórico de infrações, incluindo episódios relacionados ao uso de álcool ou drogas na direção.
Diante desses elementos, foi mantida a prisão preventiva do caminhoneiro.

Julgamento pelo Tribunal do Júri
Com a decisão de pronúncia, o processo entra na fase em que caberá ao Tribunal do Júri decidir sobre a culpa ou inocência dos acusados. Ambos deverão ser julgados no mesmo procedimento, embora com responsabilidades distintas.

A expectativa é que o julgamento reacenda o debate sobre segurança nas rodovias, fiscalização do transporte de cargas e responsabilidade de empresas no setor logístico.
Enquanto isso, familiares das vítimas aguardam por respostas e por justiça diante de uma tragédia que marcou profundamente Minas Gerais e o país.

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