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Casos de mpox em MG: quais são os sintomas da doença, como é transmitida e as formas de proteção

Causada por um vírus da mesma família da varíola humana, condição pode ser confundida com catapora ou até herpes genital

Minas Gerais e o Brasil estão em alerta diante do avanço da mpox. A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) confirmou três casos da doença neste ano, em meio a uma onda de casos no país que já soma 48 confirmações, sendo 41 apenas no estado de São Paulo.

Em Minas, até o último dia 16, foram 19 notificações: três casos confirmados, um provável, nove suspeitos e seis descartados. Até o momento, não há registro de óbitos relacionados à doença no estado. Os diagnósticos foram em homens, sendo um na faixa etária de 40 a 49 anos e dois entre 30 e 39 anos. Nenhum deles precisou ser hospitalizado. Os casos foram registrados em Belo Horizonte e Contagem.

O que é a mpox e quais os principais sintomas?

Causada por um vírus da mesma família da varíola humana (erradicada em 1980), a mpox é uma doença que exige atenção ao diagnóstico visual. A mudança no nome da condição foi adotada internacionalmente para evitar estigmas, uma vez que o vírus, embora originário da África, tem disseminação global.

Segundo a infectologista Melissa Valentini, do Lab-to-Lab Pardini, os sinais clássicos incluem:

  • Febre;
  • Linfadenomegalia (aumento dos gânglios linfáticos, as populares ínguas);
  • Lesões na pele (manchas, pápulas ou vesículas).

“Muitas vezes essas lesões são confundidas com catapora ou até herpes genital”, alerta a médica.

Evolução da transmissão
Historicamente, até 2022, a mpox era restrita ao continente africano e associada ao contato com animais infectados. Contudo, o padrão mudou. “A partir daquele ano, a disseminação passou a ocorrer principalmente por contato íntimo e relações sexuais desprotegidas”, explica Melissa.

Conforme a infectologista, o vírus possui duas linhagens principais:

  • Clado 1: Originário da África Central, associado a casos mais graves.
  • Clado 2: Da África Ocidental, geralmente mais brando. Foi o responsável pelo surto global de 2022 (especificamente o clado 2B), afetando majoritariamente homens que fazem sexo com homens, apresentando lesões muito dolorosas nas regiões anal e perianal.

Novas variantes e o cenário internacional

A comunidade científica observa agora o surgimento de uma nova variante, fruto da combinação genética entre os clados 1 e 2. Casos isolados foram detectados na Índia, em setembro de 2025, e no Reino Unido, em dezembro de 2025.

Como não há correlação epidemiológica entre esses registros, a suspeita é de transmissões independentes. “Ainda não sabemos se essa variante é mais transmissível ou grave. Isso precisa ser acompanhado”, ressalta a médica. Por ora, a Organização Mundial da Saúde (OMS) mantém as recomendações vigentes de prevenção.

Diagnóstico, isolamento e o desafio da vacinação

A detecção da mpox é feita por meio do teste de PCR, analisando a secreção das lesões cutâneas. Uma vez confirmada a suspeita, a orientação é clara: isolamento total até que todas as feridas desapareçam por completo.

Quanto à imunização, o cenário brasileiro ainda é restrito. A vacina é a mesma da varíola, mas as doses disponíveis no país vieram de doações internacionais e foram direcionadas estritamente a grupos de altíssimo risco, como pessoas vivendo com HIV e baixa imunidade. No momento, não há disponibilidade ampla de vacinas nas redes pública ou privada.

Como se proteger?

A prevenção passa pelo reconhecimento precoce. Valentini reforça que, ao notar febre acompanhada de lesões na pele, o paciente deve buscar ajuda médica imediata, especialmente se houve contato íntimo recente com parceiros casuais ou pessoas com lesões suspeitas. O isolamento adequado é a ferramenta mais eficaz para interromper a cadeia de contágio.

Fonte: O Tempo

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