CARATINGA – Um golpe aplicado por meio do WhatsApp causou prejuízo financeiro e emocional à comerciante Josiane de Souza, proprietária do restaurante Casa da Coxinha, localizado na Rua Deputado Dênio Moreira de Carvalho, no bairro Santa Cruz. O caso ocorreu nesta semana, em pleno horário de almoço, período de maior movimento no estabelecimento.
Segundo Josiane, o contato foi feito por telefone por um homem que se apresentou como cliente e solicitou um fechamento mensal de marmitas, prática comum no restaurante, especialmente para atendimento a obras e empresas. “Era por volta de 11h, na correria do almoço. Ele ligou, fez o fechamento das marmitas e disse que a retirada seria no local. Achei que fosse um cliente normal”, relata.
O valor combinado foi de R$ 3 mil, mas o golpista enviou um comprovante falso de Pix no valor de R$ 3.980, alegando ter transferido um valor maior por engano. Em seguida, passou a pressionar Josiane para que devolvesse a diferença. “Ele começou a ligar nervoso, dizendo que o patrão estava brigando com ele e pedindo que eu devolvesse o dinheiro que tinha passado a mais. Na correria, atendendo clientes, eu só olhei o comprovante, vi o valor e acabei estornando”, conta.
Pouco tempo depois, o suposto cliente não apareceu para retirar as marmitas. Ao conferir a conta bancária com mais calma, Josiane percebeu que o valor nunca havia sido creditado. O golpista, então, deixou de responder às mensagens e ligações.
Prejuízo financeiro e impacto emocional
Além dos R$ 980 devolvidos, Josiane já havia preparado 12 marmitas grandes, o que elevou o prejuízo total para cerca de R$ 1,4 mil a R$ 1,5 mil. “É muito difícil. A gente trabalha todos os dias, com dificuldade, e um golpe desse tamanho acaba com a semana da gente”, desabafa.
Após o ocorrido, a comerciante soube que outro profissional do mesmo ramo quase caiu no mesmo golpe. O alerta veio depois que um colega reconheceu o número usado pelo criminoso. “Eles são muito convincentes. É tudo muito rápido. Na pressa do balcão, anotando pedidos, fazendo marmitas, a gente acaba caindo”, alerta Josiane.
Alerta aos comerciantes
O caso reforça a importância de atenção redobrada, especialmente em transações feitas à distância e durante horários de grande movimento. Golpes envolvendo comprovantes falsos de Pix têm se tornado cada vez mais comuns e exploram justamente a urgência e a boa-fé das vítimas.
COMO SE PROTEGER DO GOLPE DO PIX E DO WHATSAPP
-Nunca devolva valores sem confirmar o crédito na conta bancária
-Não confie apenas em comprovantes enviados por mensagem
-Desconfie de pressão emocional ou urgência excessiva
-Verifique o número de telefone (DDD, histórico, perfil)
-Evite fechar pedidos altos com clientes desconhecidos sem confirmação prévia
-Em caso de dúvida, pause o atendimento e confira os dados com calma
Se houver suspeita de golpe, a orientação é não realizar nenhuma transferência, registrar o ocorrido e procurar a instituição bancária e as autoridades competentes.
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OUTROS GOLPES COMUNS APLICADOS VIA WHATSAPP
Além do golpe do Pix falso, criminosos utilizam diferentes estratégias pelo WhatsApp para enganar vítimas. Veja os principais:
Golpe do número clonado
O criminoso clona o WhatsApp de alguém conhecido da vítima e passa a pedir dinheiro, alegando emergência.
Dica: sempre confirme por ligação antes de transferir qualquer valor.
Golpe do falso parente
O golpista se passa por filho, sobrinho ou outro familiar, dizendo que trocou de número e precisa de ajuda financeira urgente.
Dica: desconfie de pedidos repentinos e verifique a identidade.
Golpe do falso funcionário de banco
Mensagens informam suposta fraude na conta e solicitam dados, códigos ou transferências para “regularização”.
Dica: bancos não pedem senhas, códigos ou transferências por WhatsApp.
Golpe do falso fornecedor ou cliente
Criminosos se passam por fornecedores ou clientes, enviam boletos ou comprovantes falsos e pedem estornos.
Dica: confirme sempre os dados diretamente pelos canais oficiais.
Golpe do link malicioso
Links prometem promoções, prêmios ou benefícios e, ao serem acessados, roubam dados do celular.
Dica: não clique em links de origem desconhecida.
Atenção redobrada no comércio
Golpistas costumam agir em horários de pico, quando comerciantes estão sob pressão, como no horário do almoço, explorando a pressa e o acúmulo de tarefas. A orientação é sempre parar, conferir e desconfiar.
