Caso Saory: júri reconhece feminicídio e fixa pena de 47 anos de prisão

Segundo o MP, essa foi resposta para a sociedade de que crimes assim não serão tolerados na comarca

CARATINGA – Um dos julgamentos de maior repercussão recente no município terminou com a condenação de um homem a 47 anos de prisão pelo assassinato de Caroline Alexia Ferreira Mota, de 25 anos, conhecida como “Saory”. O júri foi realizado na quinta-feira (9), no Fórum Desembargador Faria e Sousa.

O crime, ocorrido em 19 de novembro de 2024, inicialmente foi tratado como suicídio. Na ocasião, o então companheiro da vítima afirmou à Polícia Militar que ela teria tirado a própria vida. No entanto, exames periciais realizados no Instituto Médico Legal (IML) apontaram que a causa da morte foi estrangulamento, levando à reclassificação do caso como feminicídio.

Diante das evidências, o suspeito foi preso em flagrante. As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Caratinga, foram concluídas em dezembro de 2024, apontando feminicídio qualificado por asfixia, além dos crimes de fraude processual e lesão corporal. Segundo a Polícia Civil, o acusado teria alterado a cena do crime para simular um enforcamento. O pai dele também foi indiciado por fraude processual, sob suspeita de ter auxiliado na modificação do local.

A defesa do réu deverá recorrer da sentença.

Ação do Ministério Público

Familiares da vítima cumprimentaram o promotor Henry Wagner Vasconcelos de Castro após a sentença, em um gesto de reconhecimento pelo trabalho desenvolvido no caso.

Em entrevista após o resultado, o promotor destacou o impacto da decisão para a família da vítima.

“A família tem, de justiça, agora a alegria. É o que conforta todo profissional que faz o nosso tipo de entrega no Tribunal do Júri. A família se sentir em condições de seguir adiante, de completar um processo de luto, com a sensação de que uma resposta séria, à altura da gravidade de um crime sério, foi alcançada”, afirmou.

Ele também ressaltou a dor provocada pela perda precoce. “Eu me sinto muito triste, todavia, porque a vítima era uma moça muito jovem, com 24 anos de idade apenas, e que deixou dois filhos, duas crianças, dois meninos com 10 e 7 anos de idade, na época dos fatos.”

O promotor elogiou ainda o trabalho das delegadas responsáveis pela investigação. “Aproveito para endereçar a minha gratidão e o meu elogio ao trabalho das duas delegadas de mulheres da cidade e comarca de Caratinga, doutoras Nayara e Tatiana, duas profissionais que também fizeram importantes entregas na investigação e no curso do processo”, destacou.

Sobre a dinâmica do crime, Henry Wagner explicou que ficou comprovado que a vítima mantinha um relacionamento conturbado com o acusado, marcado por agressões. Dois dias antes da morte, ela teria sido agredida fisicamente.

Segundo ele, as provas técnicas foram decisivas para afastar a hipótese de suicídio. “Todos os sinais indicativos de enforcamento estavam ausentes, e todos os sinais indicativos de uma estrangulação estavam presentes”, explicou.

O promotor detalhou ainda que a vítima tentou resistir ao ataque. “Foi encontrada, sob as unhas da vítima, material genético do acusado, o que demonstra que, nos seus derradeiros momentos, ela tentou se defender”, disse.

Para o Ministério Público, o caso deixa um recado claro. “Fica também a resposta para a sociedade de que crimes de feminicídio não serão tolerados aqui na nossa comarca”, afirmou.

Ele ampliou a reflexão para além do caso. “Nós nunca poderemos pensar em um mundo com paz enquanto não houver paz dentro dos lares, enquanto mulheres não puderem ter segurança ao lado de seus companheiros e vice-versa.”

Sentimento de justiça

A mãe da jovem, Diane Silva Ferreira, acompanhou o julgamento e falou sobre a decisão do júri. “Eu acredito, sim, que a justiça aqui da terra foi feita. Ele pegou uma pena que eu nem esperava. Eu imaginava uns 35 anos, e ele pegou 47”, disse.

Emocionada, ela agradeceu aos envolvidos no processo. “Quero agradecer ao júri, ao doutor Henry, que foi um anjo ali para defender. A todos que estiveram do meu lado, amigos, familiares. Só tenho a agradecer.”

Diane também mencionou o impacto da condenação para os filhos da vítima. “Eles estão muito felizes, agradecendo demais pela pena que ele pegou. Não vai trazer minha filha de volta, mas ele não vai ficar livre para fazer com outras pessoas o que fez com ela.”

Para a família, a sentença representa um ponto de encerramento.

“Agora minha filha pode descansar em paz, e a gente também. A justiça cumpriu o papel dela”, concluiu.

Momento em que o filho da vítima abraça o promotor Henry e o agradece por trabalhar para que o acusado de matar sua mãe fosse condenado
Em entrevista após o resultado, o promotor Henry destacou o impacto da decisão para a família da vítima
A mãe de Saory, Diane Silva Ferreira, acompanhou o julgamento e falou sobre a decisão do júri

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